sexta-feira, 2 de março de 2012

Sangue tropeiro

Engraçado como a gente descobre as coisas nessa vida...

O projeto de mestrado que estou realizando na Unesp de Bauru, fala sobre a cultura popular e a mídia, verificando essa relação, como ela se dá, enfim. Para isso, resolvi falar de uma festa que acontece no interior de São Paulo, na cidade de Silveiras, a Festa do Tropeiro. Por isso, essa é a primeira manifestação que sobre a qual irei falar aqui.

Silveiras é uma cidadezinha de, aproximadamente, 5 mil habitantes e que tem em sua origem o tropeirismo no Brasil. Sua fundação se deu através de um rancho tropeiro, o Rancho dos Silveiras.
A cidade foi elevada a freguesia em 9 de dezembro de 1830, a vila em 28 de fevereiro de 1842 e a cidade em 22 de fevereiro de 1864. Várias diversidades estiveram presentes em sua história: a Revolução Liberal de 1842, Revolução de 1932 que praticamente devastou a cidade.


Historicamente, Silveiras passou por várias dificuldades, pois a riqueza que passava por suas terras (como o ouro retirado das Minas Gerais e, posteriormente, café) não ficavam na cidade, o que resultou em benefícios momentâneos, levando o município a um declínio atrás do outro. Tanto que é retratada como uma das "Cidades Mortas", livro homônimo escrito por Monteiro Lobato.

 Atualmente, a cidade vive da pecuária leiteira, agricultura e artesanato. É uma cidade aconchegante e acolhedora, com um clima típico de cidade pequena, sabem?
O tropeirismo é muito forte e deixou de ser uma vergonha para a cidade a partir da criação da Silverarte - feira de artesanato - e da Festa do Tropeiro, que tenta reviver os hábitos do tropeiro todo último final de semana do mês de agosto.

Ontem - 1° de março - estive na cidade para conversar com algumas pessoas e, para minha sorte, consegui encontrar o senhor Jerônimo, um dos últimos tropeiros vivo, com quem tive a oportunidade - e a felicidade - de conversar e ouví-lo contando os causos tropeiros, a vida desses homens que andavam no lombo das mulas, falar sobre a Festa do Tropeiro - evento que organizou durante 16 anos.


 E a prosa foi assim: em frente à casa do Seu Jerônimo, embaixo da imensa árvore que fica na calçada, sentados nos tocos de árvore - não poderia ser melhor!! O tropeiro até cantou uma moda de viola que ele compôs sobre a cidade: "O que tem Silveiras".

(Desculpem, a qualidade ficou um pouco inferior, mas tive que diminuir, senão o upload ia ser eterno!!)

E, para a minha surpresa, descobri que o companheiro do Seu Jerônimo no tropeirismo e na organização da Festa de Silveiras se chamava Nenê Emboava, que é irmão do meu avô, o Dito Emboava! Ou seja, sou parente, ou melhor, sobrinha neta de um dos tropeiros que fez a Festa de Silveiras!

Todo mundo me pergunta porque escolhi essa festa pra ter como base pra pesquisa... acho que encontrei a minha resposta!!!








4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Deu até vontade de visitar Silveiras e conhecer mais a cidade e sua história... Parabéns minha Querida, e que venha Agosto!

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  3. Essa cidade tem um clima bem bucólico e parece ser rica em história! Escolheu bem o seu tema de mestrado Daira! beijos e parabéns!

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  4. LÁGRIMAS DE AREIA

    Lá estava ela, triste e taciturna.
    Testemunha de efêmeros conflitos,
    Com um olhar perdido no tempo,
    Não exigia nada em troca
    A não ser um pouco de atenção.

    Sentia-se solitária, oca,
    Os homens admiravam-na pelos seus dotes.
    As crianças, em sua eterna plenitude,
    Admiravam-na muito mais além...
    ... Mais humana!

    De sua profunda melancolia
    Lágrimas surgiram.
    Elas não umedeceram o seu rosto,
    Mas secaram o seu coração,
    O poço da alma,
    Aumentando cada vez mais
    A sua sede.

    Lá ela permaneceu; estática, paralisada!
    Esperando que o vento do norte a levasse
    Para bem longe dali!

    O dia começou a desfalecer.
    Seu coração, outrora seco e vazio,
    Agora pulsava em desenfreada arritmia.
    Desespero!
    A maré estava subindo...

    Em breve voltaria a ser o que era:
    Um simples grão de areia.
    Quiçá um dia levado pelo vento,
    Quiçá um dia... Em um porto seguro.

    (Agamenon Troyan)






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